Se réfléchir en Adam

MichelangeloPour reconnaître comme la condition humaine est vicieuse et misérable, le péché de Adam toujours m’a fasciné. Son geste nous met dans une situation presque entièrement en lachute, nous condamnant à respirer pour toute la vie le péché et à laisser à nos enfants le même destin malhereux.

Ainsi, il est avec une grande facilité que nous détestons Adam, parce qui nous croyons qu’il aurait pu choisir différemment une fois que nous — en lui regardant en rétrospective — croyons qui nous aurions pu.

Or, mais quelle sottise profonde est celle qui nous fait penser que nous pouvons venger où il a échoué? Pourquoi, en étant un résultat du péché, nous pensons être comme le dieu qui condamne et non comme le pecheur qui commet des erreurs? Par hasard, nous sommes capables de refuser le péché aujourd’hui?

Détester le miroir est seulement une manière insensé d’être en désaccord avec lui et, également, d’échouer miserablement avec lui.

S’il y avait la vérité dans la bible sur ce mythe, dieu aurait felicité son enfant prodigieux:

Trés bien, Adam, tu as correspondu aux attentes de Dieu. Rien de plus!

Mais la bible est religieuse et dit qui nous pouvons fuir notre humanité, que Adam aurait pu ne pas péchér, que nous sommes corrects en lui condamnant et, bien sûr, nous condamner avec lui.

En particulier, je préfère regarder mon ancestral mythologique avec un peu de curiosité et d’admiration. Si un jour je reprendre la prière, je ne vais pas avoir des doutes à lui en parler:

Merci, Adam, pour toute l’humanité que vous m’ai donné.

PS: le texte en portugais.

Chronique de 5 de octobre de 1885 – Machado de Assis

Vous n’imaginez pas oú je suis allé le vendredi. Les lecteurs mal saivaient à peine où j’ai été vendredi. Voilá: j’ai été dans la salle de la fédération spiritiste brésilienne où j’ai ecouté la conférence que le monsieur M. F. Figueira sur le spiritisme.

Je sais que cela est une nouveauté pour les lecteurs, n’est non plus pour la fédération, qui ne m’a vu pas et ni m’a pas invité; mais il est allé cela a été ce qui m’a converti à la doctrine; il a allé ça a été ce cas imprevú de entrer là, rester, écouter et sortir sans que personne ne s’en apperçoivent.

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Athéisme, symboles, gestes

Pour le bien et pour le mal, l’athéisme assassine des symboles et, par conséquence, il assassine aussi la relation affective qui se créait avec eux. Le monde du athée n’a plus de son, de couleurs ou de dieux, mais seulement des vibrations, des spectres de lumière et le vieux “je” en parlant avec lui-même. Tout les sens inventifs que la foi donnait aux choses les plus banales — avec une naiveté sincère ou simplement ignorant — se défont dans l’esprit de l’athée. La superstition et les mystères sont eliminé, parce que sont expliqués les tonnerres, la peste et même la mort.

Ainsi, le vieux geste de saluer la photo d’un mort, par exemple, qui reliait une personne à son quotidien d’une manière profonde à faire que même une photo puisse contenir une vie entière, il reste entièrement destitué de signification. Quand le mort reste hors d’atteinte parce que la médicine et le bon sens disent que personne ne vit au-dela de sa mort, la salutation perd sa symbologie et devient quelque chose de soi pour soi. D’ailleurs, quelque chose un peu ridicule.

La même chose arrive avec beaucoup d’autres symboles et gestes…

Ainsi, je me pose une question: nous, les modernes, les post-modernes, utilisez le mot que vous aurez désiré, nous vivrons sans symboles? Nous percevrons “ce qui est par ce qu’il est”?

Je ne sais pas.

Mais quand je vois quelqu’un faire le signe de la croix devant une église ou quelque chose comme ça, je ne sais comment ne pas me inquiéter avec son geste. Et douter un peau des gains de la perte de la foi.

PS: le texte en portugais.

As forças naturais desconhecidas (trecho) — Camille Flammarion

Por conta de minhas leituras de O babuíno de madame Blavatsky, de Peter Washington, e de algumas meditações recentes a propósito de temas religiosos, decidi compartilhar aqui um velho achado do excelente Obras psicografadas: um capítulo do livro As forças naturais desconhecidas, de Camille Flammarion, astrônomo francês contemporâneo de Kardec que tinha muito a dizer acerca das pesquisas do sobrenatural no século dezenove e das próprias pesquisas do fundador do espiritismo. Aliás, muito mesmo, o capítulo é enorme. Para quem tem gosto pela história da ciência e da religião, no entanto, creio que ele seja bem interessante e possa servir como uma boa fonte para investigações futuras.

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Espelhar-se em Adão

MichelangeloPor reconhecer como a condição humana é viciosa e miserável, o pecado de Adão sempre me fascinou. Seu ato nos coloca numa situação quase inteiramente decaída, condenando-nos a respirar por toda vida o pecado e a legar aos nossos filhos o mesmo destino infeliz.

Por causa disso, é com grande facilidade que passamos a odiar Adão, crendo que ele poderia ter escolhido diferentemente porque nós — olhando-o em retrospectiva — acreditamos que poderíamos.

Ora, mas que tolice profunda é essa que nos faz pensar que poderíamos vingar naquilo que ele fracassou? Por que, sendo fruto do pecado, pensamos ser como o deus que condena e não como o pecador que erra? Por acaso somos capazes de recusar o pecado hoje?

Odiar o espelho que é Adão é apenas um modo tolo de discordar dele e, igualmente, de fracassar miseravelmente com ele.

Caso existisse verdade na bíblia a respeito desse mito, deus teria felicitado seu filho prodigioso:

Muito bem, Adão. Pecaste: correspondeste às expectativas do próprio Deus. E nada pode ser maior!

Mas a bíblia envereda pela religião e diz que podemos fugir à nossa humanidade, que Adão poderia não ter pecado, que estamos corretos em condená-lo e, é claro, em nos condenarmos com ele.

Particularmente, prefiro contemplar meu ancestral mitológico com alguma curiosidade e admiração. Se um dia voltar a rezar, não terei dúvidas em lhe dizer:

— Obrigado, Adão, por toda a humanidade que me deste.

Crônica de 5 de outubro de 1885 — Machado de Assis

Mal adivinham os leitores onde estive sexta-feira. Lá vai; estive na sala da Federação Espírita Brasileira, onde ouvi a conferência que fez o Sr. M. F. Figueira sobre o espiritismo.

Sei que isto, que é uma novidade para os leitores, não o é menos para própria Federação, que me não viu, nem me convidou; mas foi isto mesmo que me converteu à doutrina, foi este caso inesperado de lá entrar, ficar, ouvir e sair, sem que ninguém desse pela coisa.

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Um cético na Cabala — Luiz Felipe Pondé

Que tal ir aos Jardins, em São Paulo, tomar um café gostoso, falar da última viagem ao Vietnã e assistir a uma aula de cabala no Kabbalah Centre da Madonna? Definitivamente um luxo: ver e ser visto, posar de espiritualizado e “aprender” a fazer Deus trabalhar para você. Tudo de bom, não?

Você não precisa disso? Duvido. Você não tem medo da vida? Não minta. Pouco importa se compramos uma saída para o medo no Amex, se andamos de metrô ou de BMW, se frequentamos igrejas evangélicas ou aprendemos palavras mágicas em hebraico ou sânscrito, se trazemos as marcas da idade num rosto envelhecido ou as escondemos atrás da pele esticada. Pouco importa – todos nós temos medo da vida.

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Ateísmo, símbolos, gestos…

Para o bem e para o mal, o ateísmo assassina símbolos e, como consequência disso, assassina também a relação de afeto que se construía com eles. É que o mundo do ateu não tem mais sons, cores ou deuses, só vibrações, espectros de luz e o velho “eu” falando consigo mesmo. Todos aqueles significados inventivos que a fé cedia às coisas mais banais – fosse com uma ingenuidade sincera ou simplesmente ignorante – desvanecem da mente do ateu. Elimina-se toda superstição e mistério, explicam-se os trovões, as pragas e até a morte.

Desse modo, o velho gesto de cumprimentar a foto de um falecido, por exemplo, que atrelava uma pessoa ao seu cotidiano de maneira profunda ao fazer com que até um retrato pudesse conter uma vida inteira, fica inteiramente destituído de sentido. Quando o morto se torna inalcançável porque a medicina e o bom senso dizem que nada se estende além de sua morte, o cumprimentar perde seu aspecto simbólico e se torna algo de si para si. Algo um tanto ridículo, aliás.

O mesmo se dá com infinitos outros símbolo e gestos…

Daí, coloco-me a questão: nós, modernos, pós-modernos, usem o termo que quiserem, viveremos sem símbolos? Teremos um cotidiano despido de mistérios? Amaremos e odiaremos as coisas sem mediações simbólicas? Perceberemos “o que é pelo que é”?

Sei lá.

Mas quando vejo alguém a fazer o sinal da cruz diante de uma igreja ou coisa do tipo, não tenho como não me inquietar com seu gesto. E duvidar um pouco dos ganhos da perda da fé.

PS: traduzi esse texto para o francês aqui.

Diálogos sobre a religião e a morte (Parte I)

Basicamente, o texto que segue é um diálogo entre colegas.

Ele constitui a primeira parte de um diálogo entre eu e o Mailson Cabral (do Templo e Taverna) a respeito do tema da morte, englobando religião, filosofia e coisas mais. A ideia foi fazer um diálogo franco e sem grandes rodeios, em que pudéssemos expor nossas posições e inquietações sobre o assunto sem necessariamente concluir uma verdade ao fim. O resultado vocês podem acompanhar logo abaixo.

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Nota sobre uma opinião de Luiz Felipe Pondé

Ao contrário de muitos de meus colegas, não tenho qualquer rejeição particular pelo filósofo Luiz Felipe Pondé. Não que eu não entenda porque há tanto ódio em relação a ele, eu entendo bem, porém, pessoalmente, consigo separar em seus discursos aquilo que considero aceitável daquilo que considero inaceitável. Com isso, não sinto necessidade de desprezá-lo, reverenciá-lo ou de deixar de ouvir o que ele tem a dizer.

Hoje, no entanto, eu gostaria de fazer uma crítica a certa opinião que Pondé tem repetido em algumas de suas palestras e textos. Trata-se do entendimento de que o ateísmo seja uma concepção óbvia de mundo. Segundo o filósofo, não seria preciso pensar muito para chegar a conclusão de que deus não existe, sendo assim, esta não seria uma posição intelectualmente refinada: basta pensar um pouquinho e concluiremos que o mundo é ruim, que a vida não tem qualquer sentido e – voilà – que provavelmente nenhum deus olha por nós.

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