Uma tentativa de explicar “A falta do grande romance brasileiro” — José Geraldo

Dizem que deu na Folha, mas eu não leio jornal mais — então eu só fiquei sabendo através do blog do Rodrigo Gurgel, o polêmico crítico literário, de quem tenho aprendido a gostar (falo do blog e não do crítico, porque conhecer o primeiro não equivale a conhecer o segundo). Para quem não sabe do que estou falando, dou um resumo e deixo o link para quem queira ler o texto inteiro (e eu recomendo, pois vale a pena).

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Resenha: O alienado — Cirilo S. Lemos

Faz um tempinho que escrevi uma resenha a respeito do livro O alienado, de Cirilo S. Lemos, mas esqueci de dar notícia dela aqui. Trata-se de uma ficção científica a qual tem diversas semelhanças (influências) com a trilogia clássica de Asimov, sendo bastante interessante por se situar na exata medida entre a escrita inteligente e o entretenimento despretensioso. Meu texto é curtinho, mas serve de promoção crítica da obra. Caso tenham interesse, leiam-no aqui.

Sobre certas discussões de hoje

Boa parte das discussões que ocorrem hoje na internet constituem uma disputa que se resolve ao determinar quem estaria incluído ou não na “turma dos legais”, sendo que no lugar da argumentação e da crítica serão as censuras morais as quais tentarão, cada qual à sua maneira, retirar o adversário desse grupo, algo que, para quem está dentro dele, é a máxima punição que se pode infligir a alguém.

Como essas discussões deixam de ser argumentativas, elas se restringem à apologia do próprio ponto de vista e à censura do ponto de vista alheio envolvidas numa carga tal de vaidade e sentimentalismo que, por vezes, até pessoas que tentam refletir seriamente acabam seguindo esse comportamento, passando a ignorar a validade e as consequências dos argumentos em questão para simplesmente considerarem se eles estão ou não de acordo com o que seria “cool” no momento.

Mas é possível identificar e escapar desse tipo de comportamento.

Qualquer argumentação bacaninha dessas cai facilmente diante do seguinte critério: caso tal argumentação seja válida, ela então invalidará o argumento (pensamento, etc.) do outro ou apenas lhe prescreverá um comportamento? Caso ela apenas invalide, então temos aí uma ponderação legítima que se resolve no campo argumentativo, mas caso ela resulte numa prescrição, ou pior, caso ela só seja uma prescrição, caberá perguntar se, afinal, estamos mesmo discutindo ou só exigindo que o outro siga os comportamentos que prezamos.

Tal qual toda chantagem emocional, barganha sentimental, a discussão em torno da possibilidade de se enquadrar ou não num grupo só funciona enquanto a aprovação desse grupo for considerada importante, consequentemente, tão logo ela deixe de ser, estaremos livres para sermos o que quisermos.

Menos legais, é claro, isso nunca mais.

Nota: algo que vai no mesmo sentido de meu pensamento é esse textão do Henrique Guilera.