Um cético na Cabala — Luiz Felipe Pondé

Que tal ir aos Jardins, em São Paulo, tomar um café gostoso, falar da última viagem ao Vietnã e assistir a uma aula de cabala no Kabbalah Centre da Madonna? Definitivamente um luxo: ver e ser visto, posar de espiritualizado e “aprender” a fazer Deus trabalhar para você. Tudo de bom, não?

Você não precisa disso? Duvido. Você não tem medo da vida? Não minta. Pouco importa se compramos uma saída para o medo no Amex, se andamos de metrô ou de BMW, se frequentamos igrejas evangélicas ou aprendemos palavras mágicas em hebraico ou sânscrito, se trazemos as marcas da idade num rosto envelhecido ou as escondemos atrás da pele esticada. Pouco importa – todos nós temos medo da vida.

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Nota sobre uma opinião de Luiz Felipe Pondé

Ao contrário de muitos de meus colegas, não tenho qualquer rejeição particular pelo filósofo Luiz Felipe Pondé. Não que eu não entenda porque há tanto ódio em relação a ele, eu entendo bem, porém, pessoalmente, consigo separar em seus discursos aquilo que considero aceitável daquilo que considero inaceitável. Com isso, não sinto necessidade de desprezá-lo, reverenciá-lo ou de deixar de ouvir o que ele tem a dizer.

Hoje, no entanto, eu gostaria de fazer uma crítica a certa opinião que Pondé tem repetido em algumas de suas palestras e textos. Trata-se do entendimento de que o ateísmo seja uma concepção óbvia de mundo. Segundo o filósofo, não seria preciso pensar muito para chegar a conclusão de que deus não existe, sendo assim, esta não seria uma posição intelectualmente refinada: basta pensar um pouquinho e concluiremos que o mundo é ruim, que a vida não tem qualquer sentido e – voilà – que provavelmente nenhum deus olha por nós.

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