Resenha (no Café com Tripas): Morela — Edgar Allan Poe

Escrevi recentemente uma resenha do conto Morela, de Edgar Allan Poe, no Café com Tripas. Ainda que o tom daquele blogue difira significativamente do tom desse aqui, a análise do conto é séria e a reflexão é válida o bastante para ser divulgada aqui.

O texto participa do desafio #12MesesDePoe, em que os blogues participantes resenham, a cada novo mês, um conto do poeta inglês.

Vocês podem conferir meu texto aqui.

Resenha (no Café com Tripas): O último adeus – Cynthia Hand

Publiquei no Café com Tripas uma resenha do livro O último adeus, de Cynthia Hand.

A primeira vista, a obra está dentro do nicho de entretenimento para jovens adultos (YA) e não interessaria os leitores daqui, apesar disso, para escrever a seu respeito tive que ponderar bastante sobre a relação entre interpretação textual e crítica literária, um assunto o qual já abordei diversas vezes neste espaço (como nessa resenha e nesse texto) e pode interessar aqueles que o frequentam.

O tom utilizado lá é consideravelmente diferente do que uso aqui, porém, o conteúdo preserva o mesmo cuidado que procuro ter com os textos deste blogue. Confiram neste link.

Analyse critique: La visite de la vielle dame — Friedrich Dürrenmatt

La valeur des valeurs morales

Dürrenmatt est un écrivain superficiel. En lisant ses oeuvres nous, nous trouvons personnages qui ne sont pas psycologiquement complexes, et aussi une écriture qui n’impressione pas avec cette tecnhique et avec cette érudition qui se fait respecter nécessairement. Cette superficialité, néanmoins, ne s’oppose pas à ce qui est profond; elle se superpose à lui: “Qui a observé le monde en profondeur perçoit combien de sagesse il y a dans le fait que les hommes soient superficiels. C’est son instinct de conservation qui leur apprend à être inconstants, légers et faux”, Nietzsche a dit. Alors, Dürrenmatt est un écrivain de superficie, des peaux qui cachent des abimes et des tumeurs, il écrit sur ce qui apparaît et sur ce qui se dissimule dans cet apparaître.

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O cobrador que lia Heidegger — Samir Thomaz

Nem só de Zíbia Gasparetto e Paulo Coelho vivem os leitores dos coletivos urbanos de São Paulo. Com todo o respeito aos leitores da escriba espírita e do glorioso “mago”, talvez a dupla brasileira mais lida hoje no país, mas não é todo dia que, ao transpor a catraca do ônibus, deparamos com o cobrador lendo uma obra de Heidegger.

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Resenha: O moleque Ricardo — José Lins do Rego

O encontro do engenho com a cidade

Faz pouco mais de um ano que iniciei um projeto pessoal com a literatura brasileira, e decidi ler sucessivamente autores do modernismo nacional em direção aos períodos mais antigos. O plano seria conhecer três livros de três escritores dessa corrente literária e depois passar à próxima, aliás, algo que estou prestes a fazer.

Entre os vários autores que li durante esse percurso, José Lins do Rego foi decerto uma de minhas melhores descobertas, sendo simples dizer por quê: é por ser delicioso o que ele escreve e o modo como escreve.  Resumindo suas virtudes do melhor modo que posso, José Lins apresenta ao seu leitor um Brasil que não mais existe e faz isso por meio de uma literatura que não somos mais capazes de praticar. Ele traz um olhar único sobre o Brasil que faz com que mesmo uma obra como O moleque Ricardo,que não está entre seus maiores acertos como artista, contenha qualidades que não estão em poder de nenhum escritor hodierno repetir.

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Duas reflexões sobre Olhai os lírios do campo

À semelhança do que fiz com Enterrem meu coração na curva do rio, em vez de resenhar Olhai os lírios do campo decidi escrever alguns pensamentos suscitados pelo livro.

Sobre o conteúdo desses pensamentos, devo advertir que não estou pretendendo fazer uma descrição fidedigna da obra, mas a situando em minha subjetividade e fazendo com que dialogue com ela.

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Resenha: Y: O último homem — Brian C. Vaughan e Pia Guerra

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A humanidade emasculada

A premissa de Y: O último homem é bastante simples: uma infecção misteriosa eliminou subitamente todos os mamíferos machos do planeta, exceto pelo ilusionista Yorick Brown e seu macaco de estimação Ampersand, sendo o destino deles e do resto do mundo aquilo que a história pretende nos apresentar.

Participando daquele conjunto de obras que situa seus acontecimentos no fim do mundo, essa HQ foge um pouco das velhas discussões acerca da sobrevivência humana em situações extremas para tocar temas atualíssimos como relações de gênero e machismo. Ao narrar a vida de personagens impossibilitados de assumir as mentalidades socialmente estabelecidas para seus sexos, conquanto dialoguem constantemente com elas e com os discursos que as legitimam, Y: O último homem nos apresenta uma trama rica e inteligentemente situada na história contemporânea, suscitando tanto questões quanto à condição social do homem e da mulher quanto à política ocidental recente e seus extremismos medonhos.

A despeito desse panorama que a envolve, a obra não se torna uma discussão teórica travestida de narrativa, mas uma história sobre pessoas, aliás, uma boa história repleta de elementos interessantes.

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Ler Paulo Freire

Ainda sobre A educação e o processo de mudança social, diz Paulo Freire na introdução:

Comecemos por pensar sobre nós mesmos e tratemos de encontrar, na natureza do homem, algo que possa constituir o núcleo fundamental onde se sustente o processo de educação.

Qual seria este núcleo captável a partir de nossa própria experiência existencial?

Este núcleo seria o inacabamento ou a inconclusão do homem.

O cão e a árvore também são inacabados, mas o homem se sabe inacabado e por isso se educa. Não haveria educação se o homem fosse um ser acabado. O homem pergunta-se: quem sou eu? de onde venho? onde posso estar? O homem pode refletir e colocar-se num determinado momento, numa certa realidade: é um ser na busca constante de ser mais e, como pode fazer esta auto-reflexão, pode descobrir-se como um ser inacabado, que está em constante busca. Eis aqui a raiz da educação.

A educação é uma resposta da finitude da infinitude. A educação é possível para o homem, porque este é inacabado e sabe-se inacabado. Isto leva-o à sua perfeição.

Freire, Paulo. Educação e mudança, pág.27-28. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

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Resenha: Master Onani Kurosawa — Yokota Takuma

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Considerações a respeito e a partir da obra

Um mangá que tem a masturbação como tema está muito próximo de fracassar como obra. Primeramente, por se dirigir ao público jovem, ele pode ser estupidamente didático ou tão imaturo quanto pensa que seu público é, além disso, também pode buscar atrair o leitor pelo sexo com o objetivo de excitá-lo, transformando-se em simples pornografia.

Master Onani Kurosawa, todavia, escapa dessas armadilhas por não se reduzir ao tema da masturbação e fazer uso dele para contar a história sentimental do protagonista, apresentando certo período de sua vida a partir da transformação de seus sentimentos. O onanismo funciona como uma maneira de situar a história e como um caleidoscópio da interioridade do personagem, mostrando o que lhe ocupa a mente quando ele não está com as outras pessoas e pode olhar para si sem suas máscaras sociais.

Essa abordagem muitíssimo interessante faz com que o mangá suscite diversas discussões a respeito da sexualidade e, por conta disso, mais que resenhar a história contida ali, eu tentarei iniciar algumas dessas discussões nas linhas a seguir.

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Da impossibilidade de descrever os olhos de Capitu

Machado-MachadodAssis-webNo capítulo 32 de Dom Casmurro Bentinho descreve os olhos de Capitu da seguinte maneira:

Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.”

A descrição é física: os olhos lembrariam o mar em seus momentos de ressaca a tragar para si quem os observa; ao mesmo tempo ela é também insuficiente: “Vá, de ressaca”, diz o narrador queixoso. O físico daria uma “ideia da feição” ao descrever de alguma maneira aquilo que é percebido, mas só alcançaria uma descrição metafórica

Bem, por que então a metáfora? 

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Sobre o tempo e a memória nas Confissões de Agostinho

9789722713269Diz Agostinho que: “Sem dúvida que a memória é como uma espécie de estômago da alma” (pág.467), recorrendo à uma metáfora corpórea que não pretende asserir que a memória seja uma faculdade do corpo, na verdade, ela perpassaria o corpo sem se confundir com ele por existir apenas na alma.

Como não tem forma corpórea, a memória também não é um “local” onde está “armazenado” aquilo que vivemos. Nossas lembranças não podem ser recolhidas da memória como se puséssemos nossa mão dentro de um recipiente para retirá-las de lá. Elas não estão situadas no espaço físico como corpos.

Além disso, nossas lembranças não estão sujeitas ao tempo tal como as sensações que as produziram, pois enquanto as sensações desaparecem tão logo certo período decorra, as lembranças delas permanecem indefinidamente e podem, inclusive, reaparecer subitamente quando não são chamadas.

O que significaria, então, apresentar a memória como “uma espécie de estômago”? 

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Resenha: Máquina de pinball — Clara Averbuck

Literatura não-massificada não-literária

maquina_de_pinball_1Quando soube do livro de Clara Averbuck me pareceu interessante que ele alcançasse certa notoriedade sem que fosse pelos meios que eu conhecia. A meu ver, existiriam alguns modos específicos pelos quais um livro poderia ser reconhecido: ele poderia ter um grande mérito literário e se tornar uma referência cultural duradoura, ganhando sucessivas reedições; ele poderia participar de uma grande estratégia publicitária e ser comprado e massa pelo público; finalmente, por qualquer motivo que fosse, ele poderia adentrar no sistema formal de ensino, sendo comprado e distribuído entre muitos estudantes. Máquina de pinball, entretanto, faz parte de um outro grupo de livros que sem ser motivado pela grande publicidade ou pelo sistema educacional, também não ganha destaque em função da literatura que contém: ninguém lê Clara Averbuck esperando encontrar uma grande escritora ou um grande livro. O inquietante, no entanto, é que nada disso torne menos atrativo ao público.

Assim, senti necessidade de responder algumas questões vindas dessa reflexão: para quem o livro foi escrito? Como ele atrai o público sem depender da propaganda e da literatura? Tais questões cativaram por algum tempo e será especificamente delas que tratarei nesta resenha, mais que do próprio livro como objeto de fruição. Vejamos no que dará.

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Resenha: A visita da velha senhora — Friedrich Dürrenmatt

S> O valor dos valores morais

Dürrenmatt é um escritor superficial. Lendo suas obras encontramos personagens que não são psicologicamente densos e uma maneira de escrever que não impressiona com aquela técnica e com aquela erudição que se fazem respeitar necessariamente. Tal superficialidade, no entanto, não está contraposta ao que é profundo, mas sobreposta a ele: “Quem observou o mundo em profundidade percebe quanta sabedoria existe no fato de os homens serem superficiais. É seu instinto de conservação que lhes ensina a ser volúveis, ligeiros e falsos”1, diria Nietzsche. Nesse sentido, Dürrenmatt é um escritor de superfície, das peles que escondem abismos e tumores. Ele escreve sobre o que aparece e sobre o que é dissimulado nesse aparecer.

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Ler Corbisier

Não concordo com Corbisier, mas que ele escreve bonito…

A ignorância da filosofia leva geralmente a supor que essa forma de reflexão, ou de conhecimento, lida com abstrações, enquanto as ciências, as artes e as técnicas, ocupar-se-iam do concreto. Ora, o que ocorre é exatamente o contrário, pois são as ciências, as artes e as técnicas que lidam com abstrações, quer dizer, com realidades destacadas ou “abstraídas” do contexto de que fazem parte. O fenômeno biológico, por exemplo, de que se ocupa a biologia, é uma abstração, pois implica o fenômeno químico que, por sua vez, implica o fenômeno físico, etc. Qualquer obra de arte ou produto artesanal, implica o contexto cultural desse contexto. Considerado em si mesmo, não passa de uma abstração. Qualquer técnica, tomada isoladamente, sem que se leve em consideração o local e a época em que foi produzida, é também uma abstração, uma parte retirada de um todo, ou de uma totalidade.

Situando-se na perspectiva da totalidade, a filosofia é a única forma de reflexão, de pensamento e de conhecimento, que não lida com abstrações, pois mesmo quando, para efeitos metódicos ou didáticos, isola ou destaca um objeto, jamais perde a consciência de que o objeto abstraído só é o que é, só tem sentido, enquanto integrado em seu contexto, na totalidade de que faz parte.

Corbisier, Roland. Filosofia política e liberdade, pág.22. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.

PS: ocorre, porém, meu caro Corbisier, que as filosofias não encontram apenas uma totalidade mas coleções – todas pias de serem a mais totalizante dentre elas. Seguem mil vezes mil perspectivas de cada uma, em sua maioria (as que importam, pelo menos) inconciliáveis.

Minha opinião (não que interesse a um morto saber): como ninguém resolveu a questão até o momento ou fui tolo demais para descobrir quem teria sido, talvez seja o caso que, dadas as regras do jogo, cada qual encaixe o que vê do mundo naquilo que pensa dele – mas terei razão ao dizê-lo? Ou será apenas o que minha totalidade alcança?

Algumas impressões sobre Memórias do cárcere

Sempre considerei Graciliano Ramos um escritor complicado: suas palavras duras e retilíneas expressavam pensamentos sem curvas nem beleza, que sem me causar qualquer empatia, retratavam “coisas” viscerais e impressionantes; todavia, mesmo hoje, depois de terminar meu terceiro livro dele, continuo sem entender exatamente que coisas eram essas. Honestamente, não sei ao certo o que aprendi com Graciliano Ramos e ignoro se gosto do que ele escreve ou não, se me reconheço em qualquer dito seu, se são interessantes os seus livros, sua falta de encantamento com o mundo; ignoro tudo isso; sei apenas que quero aprender mais a respeito de suas obras e que há algo de inquietante em sua prosa ou em sua pessoa que me seduz, mesmo que eu não possa entendê-la muito bem.

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Nota sobre certos leitores de hoje

Faz um tempinho que em minhas aventuras pela internet tenho observado um aumento significativo no número de blogs e vlogs literários. Ler, ao que parece, está na moda, e fico bastante feliz que seja assim.

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Apesar disso, sempre que espio algum desses novos canais sobre literatura, sinto certa inquietação anotar que todos ou quase todos compartilham certas características que dizem respeito não a si mesmos, seus defeitos e qualidades, mas a determinado tipo de leitor que os constituem e a quem se dirigem. Melhor dizendo, inquetam-me algumas coisas nas pessoas que fazem tais canais e naquelas para as quais eles são feitos.

Creio serem três essas características:

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Duas questões a propósito do livro de Dee Brown

9788525407009Concluí recentemente o soberbo Enterrem meu coração na curva do rio, livro de Dee Brown que narra de um modo épico e trágico os incontáveis massacres indígenas na conquista do oeste estadunidense. Trata-se de uma obra notável que durante os últimos meses preencheu meus intervalos entre leituras obrigatórias. Sinto que compensou cada página. Minha empolgação com o assunto, no entanto, não me fará escrever uma resenha do livro, uma vez que não sou historiador e não me considero competente para avaliar criticamente os posicionamentos historiográficos do autor. Seria bobagem escrever a propósito de um livro sobre o qual não sou capaz de dizer nada relevante, além disso, já existem várias resenhas ruins a respeito de boas obras por aí: um texto meu não teria qualquer nulidade nova para acrescentar.

Apesar disso, como foi bastante instigante atravessar as páginas dessa obra e ponderar a respeito daquilo que li, em vez de produzir uma resenha detalhada, gostaria de realizar duas ponderações que julgo pertinentes para historiadores e filósofos a fim percorrer, por meio delas, alguns dos problemas levantados pelo livro. Vejamos no que isso vai dar.

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Resenha: Os filósofos — Herculano Pires

Um passeio anacrônico e ingênuo pela vida de alguns filósofos

Fui kardecista 3durante alguns anos e devo muito de minha sanidade aos livros de Kardec e à minha convivência com espíritas no período em que comungava com eles. Por isso, li com interesse Os filósofos e mantive durante boa parte do livro certa consideração pelo autor, primeiramente, por já ter estado “do mesmo lado que ele”, mas também porque espíritas são raros na Filosofia e pouco conhecemos suas ideias. Todos sabem que o catolicismo tem uma história repleta de nomes filosoficamente importantes como Agostinho e Tomás, que o islamismo nos deu Avicena e Averróis, que o judaísmo pariu Avicebron e Maimônides, pensadores que ajudaram a transformar suas respectivas religiões em filosofias e assim tanto enriqueceram uma quanto a outra; o espiritismo, todavia, jamais igualou tal feito e não legou à história quaisquer contribuições filosóficas conhecidas fora das fronteiras dessa religião, uma vez que, mesmo que tenham existido, não tiveram força o bastante para se impor aos não-espíritas e assim alcançar uma relevância que independa de uma concordância com esta fé.

Por isso, se há uma Filosofia Espírita (ou com base no espiritismo) que pretenda ultrapassar os portões dos centros kardecistas, cabe ainda aos filósofos descobri-la ou aos crentes escrevê-la. Como pretendo demonstrar até o fim desta resenha, no que depender do livro de Herculano Pires, meus colegas espíritas tem ainda um longo caminho do portão para fora.

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Viagens de Gulliver (trecho)

“Meu pequeno amigo (…), você fez o mais admirável panegírico sobre seu país. Você provou claramente que a ignorância, a preguiça e o vício são os verdadeiros qualificativos de um legislador. Que as leis são muito bem explicadas, interpretadas e aplicadas por aqueles cujos interesses e habilidades residem em pervertê-las, confundi-las e eludi-las. Observo entre vocês algumas linhas de uma instituição que originalmente seria muito tolerável, mas que na aplicação tornou-se obliterada, deturpada e manchada pela corrupção. Não percebo, em tudo o que me disse, que se exija nenhuma perfeição dos que alcançam os cargos de direção entre vocês, muito menos que se exijam homens que se tenham tornado nobres pela virtude, que os sacerdotes sejam homenageados por sua piedade ou ensinamentos, os soldados por sua conduta ou coragem, os juízes por sua integridade, os senadores pelo amor à sua terra, os conselheiros por sua sabedoria.

Como você, prosseguiu o rei, passou a maior parte de sua vida viajando, estou disposto a esperar que tenha escapado de muitos vícios de seu país. Mas, pelo que pude perceber no nosso relacionamento e pelas respostas que consegui extorquir de você com muito esforço, devo concluir que a maior parte de seus compatriotas é a mais perniciosa raça de pequenos e odiosos parasitas que a natureza permitiu que rastejem na face da Terra.”

Swift, Jonathan. Viagens de Gulliver, pág.166. SP: Nova Cultural, 2003.