Susceptibilité

Idées superieures, quelqu’un dit, et quelque chose s’agite dans mon intérieur.

Tout les genres d’idées reçu tout le genre de valeur positive, nous savons bien, mais nous devons convenir qui n’est pas dificile considerer positivement les idées.

Les idées peuvent être erronées, mais elles ne peuvent pas commetre des erreurs, elles peuvent être bonnes ou turpides, mais elles ne pouvent pas juger ce qui est bon ou turpide.

Considèrez vous l’idée de dieux, par exemple: un être omnipotent, omniscient, omniprésent. À partir de ces attributs nous comprenons qu’il est aussi juste, bon, digne d’louange, etc.

Curieusement il est trés facile être supérieur quand il est dieu…

Ah, idées superieures! Quel grandeur a n’être pas susceptible? Quelle valeur a celui que commet pas d’erreur? Ce qui n’ apprend pas en chaque choix le poids de ce qu’il a choisi? Nous souhaitons donner aux choses une valeur d’éternité et les isoler dans un monde en ce qu’elles ne peuvent pas être brisées, mais quelle valeur a ce qu’a toute l’éternité pour être ce qu’il desire? Par hasard, la grandeur n’aura été en chaque nouvelle tentative, nous pouvons poser tout à perdre?

PS: le texte en portugais.

Suscetibilidade

Ideias superiores, alguém diz, e algo se agita dentro de mim.

Ideias de todo tipo recebem todo tipo de valor positivo, bem sabemos, mas convenhamos que não é difícil ser positivamente valorado quando se é uma ideia, não?

Ideias podem estar erradas, mas não podem errar, podem ser boas ou torpes, mas não podem julgar o que é bom ou torpe.

Considerem a ideia de deus, por exemplo: um ser onipotente, onipresente e onisciente. Desses atributos se depreende também que ele é justo, bom, digno de louvor, etc.

É curioso que seja tão fácil ser superior quando se é deus…

Ah, ideias superiores! Que grandeza há em não ser suscetível? Que valor há naquilo que não erra, que não descobre a cada escolha o peso do que escolheu? Queremos dar valor de eternidade às coisas, isolando as ideias num mundo em que elas não podem ser trincadas, mas que valor tem aquilo que possui todo o tempo para ser o que quiser ser? Acaso a grandeza não estaria em, a cada nova tentativa, poder pôr tudo a perder?

PS: fiz uma  versão francesa desse texto aqui.

Análise: Descartes e a psicologia da dúvida — Olavo de Carvalho

Dedico estas reflexões ao meu amigo Marcelo Ronconi.

Este texto integra uma série que tem por objetivo analisar parágrafo por parágrafo alguns artigos de filosofia que dizem respeito aos meus interesses de pesquisa e meditação pessoal. Abordarei nele a primeira parte de Descartes e a psicologia da dúvida, texto de Olavo de Carvalho que busca apresentar e refutar alguns pressupostos da filosofia cartesiana.

Antes de passarmos à análise do artigo, entretanto, convém dizer que, dada a quantidade de equívocos que ele contém e do esforço requerido para desfazê-los, depois de apresentar os problemas da interpretação de Olavo eu não exporei ao leitor qual seria a maneira correta de interpretar Descartes, além disso, que pelos mesmos motivos eu não analisarei a segunda parte do artigo.

Para aqueles que desejarem conhecer adequadamente a questão, todavia, eu indico a leitura do primeiro capítulo livro de Enéias Forlin O papel da dúvida metafísica no processo de constituição do cogito (Humanitas, 2004).

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Análise: O sentido de uma filosofia brasileira — Márcio Nicodemos

Faz algum tempo que tenho desejado iniciar algumas análises de artigos que, por seu tamanho diminuto e por sua argumentação pouco densa, podem ser escritas com celeridade e sem tanto esforço quanto as resenhas de livros. Os assuntos de tais artigos, além de servirem como contributos aos meus interesses de pesquisa e meditação pessoal, também realizam discussões interessantes para o formato do blogue.

Tendo isso em mente, separei alguns deles para abordar daqui por diante. Começarei com o texto de Márcio Nicodemos, O sentido de uma filosofia brasileira, um texto de graduação que discute o tema da filosofia brasileira e que, embora apresente equívocos que um filósofo mais maduro não cometeria, possuindo pouca importância para a filosofia num sentido amplo e pouco valor para a própria produção acadêmica daquele que o teceu, apresenta um tema interessante e contém algumas boas ideias que merecem ser avaliadas seriamente.

Como método de abordagem, exporei primeiramente a argumentação do autor na ordem em que aparece e em seguida tecerei comentários a acerca dela, buscando criticá-la a partir dos próprios problemas dessa argumentação e não de minhas posições pessoais sobre o assunto. Para evitar uma análise demasiadamente longa, também evitarei analisar o texto em seu aspecto estilístico e em sua organização mais geral, como costumo fazer com os livros, e restringirei minha análise à argumentação principal do texto.

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Sobre o tempo e a memória nas Confissões de Agostinho

9789722713269Diz Agostinho que: “Sem dúvida que a memória é como uma espécie de estômago da alma” (pág.467), recorrendo à uma metáfora corpórea que não pretende asserir que a memória seja uma faculdade do corpo, na verdade, ela perpassaria o corpo sem se confundir com ele por existir apenas na alma.

Como não tem forma corpórea, a memória também não é um “local” onde está “armazenado” aquilo que vivemos. Nossas lembranças não podem ser recolhidas da memória como se puséssemos nossa mão dentro de um recipiente para retirá-las de lá. Elas não estão situadas no espaço físico como corpos.

Além disso, nossas lembranças não estão sujeitas ao tempo tal como as sensações que as produziram, pois enquanto as sensações desaparecem tão logo certo período decorra, as lembranças delas permanecem indefinidamente e podem, inclusive, reaparecer subitamente quando não são chamadas.

O que significaria, então, apresentar a memória como “uma espécie de estômago”? 

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A certeza nas Meditações de Descartes

O texto abaixo consiste numa breve comunicação que realizei durante a Oitava Semana de Orientação Filosófica e Acadêmica (VIII SOFIA) da Unifesp. Como tive a oportunidade de atuar na organização de duas edições desse evento, foi bastante agradável poder me apresentar nele este ano.

Basicamente, meu texto expunha algumas problemáticas da História da Filosofia Moderna e da filosofia de René Descates. Como este não é um espaço específico para filósofos, mudei algumas coisas nele visando torná-lo mais acessível aos leitores daqui. Façam um bom proveito.

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