Duas inquietações sobre House of Cards

1. Frank Underwood, um político inescrupuloso em ascensão, é uma pessoa surpreendentemente sem preconceitos. Nas várias frentes em que ataca a política americana, ele se permite conversar com as várias alas do congresso (negra, cristã, liberal, o que for) sem jamais hostilizá-las por representarem quem representam.

Frank simplesmente não liga para quem é o outro e essa falta de preconceito é parte de sua força, pois ter preconceitos significaria não poder conversar com esses grupos, não poder tramar com eles, ou ainda, não poder usá-los em benefício próprio. Com isso, é justamente a falta de escrúpulos do personagem que o torna não preconceituoso, sendo que sua virtude não é propriamente moral mas amoral.

Minha inquietação a respeito disso é a seguinte: considerando apenas relações de poder, aquele que tem moral é o fraco? Em outras palavras, moral é coisa de quem não sabe consegue pegar o que quer? No fim das contas, o preconceito é um tipo de escrúpulo, de moral? (Agora baixinho para ninguém ouvir: a moral é um tipo de preconceito?).

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Quase fábula

Uma amiga. Contava-me  sobre um rapaz:

Gosto dele mas não é bonito, dizia.

(Aliás, bonita ela também não era, digo eu, mas bastava que fosse bela aos olhos dele).

O rapaz tinha um jeito simpático que a agradava, apesar do corpo e do rosto desventurados.

Que fazer então? Ela me perguntou. A questão era mais difícil do que parece.

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Diálogos sobre a religião e a morte (Parte I)

Basicamente, o texto que segue é um diálogo entre colegas.

Ele constitui a primeira parte de um diálogo entre eu e o Mailson Cabral (do Templo e Taverna) a respeito do tema da morte, englobando religião, filosofia e coisas mais. A ideia foi fazer um diálogo franco e sem grandes rodeios, em que pudéssemos expor nossas posições e inquietações sobre o assunto sem necessariamente concluir uma verdade ao fim. O resultado vocês podem acompanhar logo abaixo.

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