As mulheres e a filosofia — Curta-metragem

Lançado faz alguns anos pela ótima Jambeiro filmes, esse curta-metragem surgiu antes do feminismo ficar tão em moda quanto nos últimos anos, por isso, não está envolvido pela necessidade de se reportar a qualquer grupo ou de reafirmar teses e palavras próprias à militância, podendo expor discursos de pessoas reais que não querem representar quem quer que seja, nem pregar nada a ninguém.

Particularmente, eu o acho aconchegante e interessante, principalmente por sua despretensão e por seu formato dialético. Fica aqui para quem tiver interesse.

Foucault, aquele filósofo…

Um colega da pós-graduação (que não vejo faz muito tempo, aliás) me contou essa história.

Durante as primeiras semanas de sua graduação em Filosofia, seu professor fazia uma introdução à filosofia de Michel Foucault, apresentando de maneira geral as ideias do filósofo para mais tarde especificar o objeto de estudo curso dentro desse panorama.

Num dado momento, porém, um aluno qualquer levantou a mão pedindo a palavra. O professor a concedeu de imediato e o rapaz então questionou:

Professor, esse Foucault é aquele filósofo que era extremamente homossexual?

Análise: O sentido de uma filosofia brasileira — Márcio Nicodemos

Faz algum tempo que tenho desejado iniciar algumas análises de artigos que, por seu tamanho diminuto e por sua argumentação pouco densa, podem ser escritas com celeridade e sem tanto esforço quanto as resenhas de livros. Os assuntos de tais artigos, além de servirem como contributos aos meus interesses de pesquisa e meditação pessoal, também realizam discussões interessantes para o formato do blogue.

Tendo isso em mente, separei alguns deles para abordar daqui por diante. Começarei com o texto de Márcio Nicodemos, O sentido de uma filosofia brasileira, um texto de graduação que discute o tema da filosofia brasileira e que, embora apresente equívocos que um filósofo mais maduro não cometeria, possuindo pouca importância para a filosofia num sentido amplo e pouco valor para a própria produção acadêmica daquele que o teceu, apresenta um tema interessante e contém algumas boas ideias que merecem ser avaliadas seriamente.

Como método de abordagem, exporei primeiramente a argumentação do autor na ordem em que aparece e em seguida tecerei comentários a acerca dela, buscando criticá-la a partir dos próprios problemas dessa argumentação e não de minhas posições pessoais sobre o assunto. Para evitar uma análise demasiadamente longa, também evitarei analisar o texto em seu aspecto estilístico e em sua organização mais geral, como costumo fazer com os livros, e restringirei minha análise à argumentação principal do texto.

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Resenha: De como fazer filosofia sem ser grego, estar morto ou ser gênio — Gonzalo Palacios

como_fazer_filosofia2004Para pensar o pensamento brasileiro

No Brasil, todos os anos os professores universitários de Filosofia levam para a sala de aula certa expectativa: eles não esperam encontrar dentre seus alunos o novo Descartes ou o novo Wittgenstein que irá revolucionar a cultura e mudar nossa maneira de fazer filosofia, sendo assim, eles os ensinam como se estes fossem se tornar, no melhor dos mundos possíveis, também professores universitários. De igual modo, todos os anos esses estudantes agem conforme às expectativas de seus professores, estudando pouco nos anos de graduação e descobrindo como conservar as mesmas opiniões que já tinham antes de se tornarem filósofos durante os anos de pesquisa.

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Resenha: Contra-História da Filosofia – Michel Onfray

Por outra História da Filosofia

A Contra-História da Filosofia ficou bastante conhecida não somente por conta de seu idiossincrático autor, Michel Onfray, mas também por suas intenções bastante provocativas, uma vez que ela, ao pretender subverter certa corrente historiográfica que valorizaria demasiadamente certos filósofos em detrimento de outros, acaba resgatando aqueles pensadores historicamente derrotados, colocados à margem da História. Com isso, ela revira os esqueletos da História da Filosofia e incomoda certo estado de coisas do mundo acadêmico.

Pessoalmente, os livros de Onfray despertaram meu interesse desde que soube deles e, embora tenha lido somente os três primeiros volumes da coleção até agora, espero poder fazer uma caracterização justa dela. Meu estilo segue, por traquinagem, o próprio estilo empregado por Onfray nos livros.

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Não estou entre os grandes

Para quem esqueceu eu relembro: a luta de classes existe! Disse a moça segurando o megafone.

2E quem não sabe disso? Perguntou-me uma amiga em tom de retórica e eu não respondi, mas sorri fingindo que silenciar significava assentimento. Bem dizendo, eu não sabia e nunca soube bem; mesmo quando adotava soluções milagrosas para os problemas do mundo como se minha vida dependesse delas, sempre tive alguma dúvida.

Esquerda, educação, deus: ao meu modo, já acreditei em cada uma dessas coisas com afinco, porém, depois acumulada certa experiência e leitura, não sei mais o que restou dele, de maneira que quando me questionam a respeito, assinto covardemente com a opinião do interlocutor por medo e preguiça de machucar o que é óbvio e sagrado para ele. Foi por isso que sorri e costumo sorrir sempre.

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A culpa é do aluno: reflexões sobre nosso estágio em Filosofia

O texto aí abaixo consta aqui por um motivo bem simples: trata-se da primeira comunicação sobre Filosofia que apresentei publicamente. Ela não versa acerca de História da Filosofia, analisando disputas filosóficas e coisas assim, mas expressa o meu próprio ponto de vista a respeito de algo que me interessa: a formação filosófica. Assim, por mais específico que seja o tema analisado (os problemas da licenciatura na Unifesp Guarulhos), faço um convite para que você, leitor, não se aborreça desde já e o ignore, pois há nessa discussão particular algo de fundamental para qualquer um que goste de Filosofia ou Educação, que é a pergunta pelo significado da educação filosófica.

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