Biznes

A verdade não vende.

Ela fica lá, encalhada

jogada atrás das estantes dos best-sellers

embaixo de algum tapete

no canto do fundo de algum armário de cozinha que ninguém limpa por dentro

enrolada dentro do baseado empastelado mais próximo

ou mesmo granulada no meio do pó de sua preferência.

Às vezes, tem até um pessoal que aluga.

Olham bem, fazem o empréstimo, colocam na bolsa e levam pra casa. Tudo certinho.

Mas essas almas inquietas jamais ficam mais do que três dias com as verdades alugadas; chegam aqui sempre com aquelas caras de susto, ainda esbaforidas de tanto que correram pra devolver as verdades.

Eles as devolvem ainda frescas, amarguíssimas, mal tocadas ou sequer retiradas da caixa. Um desperdício.

O dia em que o negócio das verdades der certo ficarei riquíssima, mas não poderei dividir meus lucros com quase ninguém: poucos se mantêm após o consumo regular de verdades.

Mas, sabe como é

nada pessoal,

amizade amizade

biznes à parte.

PS: texto roubado do ótimo A las buenas chicas no les pasa nada. Tenham o bom gosto de ir lá conhecer.

O jogador generoso — Charles Baudelaire

Ontem, no meio da multidão do bulevar, senti-me roçado por um Ser misterioso que sempre quis conhecer e a quem reconheci imediatamente, embora jamais o tivesse visto. Havia, sem dúvida, nele, em relação a mim, um desejo análogo, pois ele me deu uma piscada de olho significativa à qual apressei-me em obedecer. Segui-o atentamente e logo desci atrás dele para uma moradia subterrânea deslumbrante onde brilhava um tal luxo que nenhuma habitação acima em Paris poderia oferecer um exemplo aproximado. Pareceu-me singular que eu já tivesse passado tantas vezes ao lado desse prestigioso esconderijo sem adivinhar a entrada. Reinava ali uma atmosfera delicada, conquanto perturbadora que fazia esquecer quase instantaneamente todos os horrores aborrecidos da vida; respirava-se ali uma sombria beatitude, análoga à que deveriam sentir os comedores de lótus, quando desembarcando em uma ilha encantada, iluminada por clarões de uma eterna tarde, sentiam nascer neles, aos sons adormecedores de melodiosas cascatas, o desejo de nunca mais rever seus lares, suas esposas, seus filhos, e de nunca mais voltar a subir sobre as altas ondas do mar.

Havia lá estranhas faces de homens e mulheres marcadas por uma beleza fatal que me parecia ter visto em épocas e em países de que me era impossível lembrar exatamente, e que me inspiravam mais uma fraterna simpatia cio que esse natural medo que nasce ordinariamente do aspecto do desconhecido. Se eu quisesse tentar definir de qualquer maneira a expressão singular de seus olhares, diria que jamais vi olhos brilhando mais energicamente do horror do tédio e do desejo imortal de se sentir viver.

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Entrevista — Yara Baumgart

Fruto da magnífica vocação da revista Veja para encontrar figuras trashs entre os endinheirados brasileiros, essa entrevista com a socialite Yara Baumgart é praticamente um clássico da filosofia nacional. Publicada em 2004, ela ficou injustamente sumida nos últimos anos até ser disponibilizada recentemente pela digitalização dos antigos números da revista.

Para todos aqueles que nunca leram essa pérola de nosso jornalismo só posso dizer que os invejo; eu gostaria de poder reler esse texto como se fosse a primeira vez.

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A igreja do diabo — Machado de Assis

Capítulo I — De uma ideia mirífica

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.

Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.

Dizendo isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a ideia, e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse consigo: — Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo que abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito azul.

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As mulheres e a filosofia — Curta-metragem

Lançado faz alguns anos pela ótima Jambeiro filmes, esse curta-metragem surgiu antes do feminismo ficar tão em moda quanto nos últimos anos, por isso, não está envolvido pela necessidade de se reportar a qualquer grupo ou de reafirmar teses e palavras próprias à militância, podendo expor discursos de pessoas reais que não querem representar quem quer que seja, nem pregar nada a ninguém.

Particularmente, eu o acho aconchegante e interessante, principalmente por sua despretensão e por seu formato dialético. Fica aqui para quem tiver interesse.

Espanquemos os pobres! — Charles Baudelaire

Durante quinze dias confinei-me em meu quarto e me cerquei de livros que estavam na moda naqueles tempos (há dezesseis ou dezessete anos); quero falar de livros em que se trata da arte de tornar os povos felizes, sábios e ricos em vinte e quatro horas. Tinha eu digerido engolido, quero dizer todas as elucubrações de todos os empresários da felicidade pública dos que aconselham a todos os pobres a se fazerem escravos e dos que persuadiam que eles são reis destronados. Ninguém acharia surpreendente que eu entrasse então em um estado de espírito vizinho da vertigem ou da estupidez.

Pareceu-me, somente, que eu sentisse, confinado, no fundo do meu intelecto, o germe obscuro de uma ideia superior a todas as fórmulas de curandeiras que eu, recentemente, vira, folheando no dicionário. Mas isso só era a ideia de uma ideia, algo de infinitamente vago.

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Chronique de 5 de octobre de 1885 – Machado de Assis

Vous n’imaginez pas oú je suis allé le vendredi. Les lecteurs mal saivaient à peine où j’ai été vendredi. Voilá: j’ai été dans la salle de la fédération spiritiste brésilienne où j’ai ecouté la conférence que le monsieur M. F. Figueira sur le spiritisme.

Je sais que cela est une nouveauté pour les lecteurs, n’est non plus pour la fédération, qui ne m’a vu pas et ni m’a pas invité; mais il est allé cela a été ce qui m’a converti à la doctrine; il a allé ça a été ce cas imprevú de entrer là, rester, écouter et sortir sans que personne ne s’en apperçoivent.

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Quem pode falar sobre discriminação social? (texto no Blog cético)

Publiquei no Blog cético um texto sobre discriminação social e ciências humanas intitulado Quem pode falar sobre discriminação social?. Fazendo um breve resumo de seu conteúdo, o texto enfrenta o argumento de que somente pessoas discriminadas podem identificar discriminação e fazer ciência acerca da discriminação, um assunto bem popular atualmente que pode interessar os leitores deste espaço. Vocês podem conferir o texto aqui.

Resenha (no Café com Tripas): Morela — Edgar Allan Poe

Escrevi recentemente uma resenha do conto Morela, de Edgar Allan Poe, no Café com Tripas. Ainda que o tom daquele blogue difira significativamente do tom desse aqui, a análise do conto é séria e a reflexão é válida o bastante para ser divulgada aqui.

O texto participa do desafio #12MesesDePoe, em que os blogues participantes resenham, a cada novo mês, um conto do poeta inglês.

Vocês podem conferir meu texto aqui.

As forças naturais desconhecidas (trecho) — Camille Flammarion

Por conta de minhas leituras de O babuíno de madame Blavatsky, de Peter Washington, e de algumas meditações recentes a propósito de temas religiosos, decidi compartilhar aqui um velho achado do excelente Obras psicografadas: um capítulo do livro As forças naturais desconhecidas, de Camille Flammarion, astrônomo francês contemporâneo de Kardec que tinha muito a dizer acerca das pesquisas do sobrenatural no século dezenove e das próprias pesquisas do fundador do espiritismo. Aliás, muito mesmo, o capítulo é enorme. Para quem tem gosto pela história da ciência e da religião, no entanto, creio que ele seja bem interessante e possa servir como uma boa fonte para investigações futuras.

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Resenha (no Café com Tripas): O último adeus – Cynthia Hand

Publiquei no Café com Tripas uma resenha do livro O último adeus, de Cynthia Hand.

A primeira vista, a obra está dentro do nicho de entretenimento para jovens adultos (YA) e não interessaria os leitores daqui, apesar disso, para escrever a seu respeito tive que ponderar bastante sobre a relação entre interpretação textual e crítica literária, um assunto o qual já abordei diversas vezes neste espaço (como nessa resenha e nesse texto) e pode interessar aqueles que o frequentam.

O tom utilizado lá é consideravelmente diferente do que uso aqui, porém, o conteúdo preserva o mesmo cuidado que procuro ter com os textos deste blogue. Confiram neste link.

Crônica de 5 de outubro de 1885 — Machado de Assis

Mal adivinham os leitores onde estive sexta-feira. Lá vai; estive na sala da Federação Espírita Brasileira, onde ouvi a conferência que fez o Sr. M. F. Figueira sobre o espiritismo.

Sei que isto, que é uma novidade para os leitores, não o é menos para própria Federação, que me não viu, nem me convidou; mas foi isto mesmo que me converteu à doutrina, foi este caso inesperado de lá entrar, ficar, ouvir e sair, sem que ninguém desse pela coisa.

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Um cético na Cabala — Luiz Felipe Pondé

Que tal ir aos Jardins, em São Paulo, tomar um café gostoso, falar da última viagem ao Vietnã e assistir a uma aula de cabala no Kabbalah Centre da Madonna? Definitivamente um luxo: ver e ser visto, posar de espiritualizado e “aprender” a fazer Deus trabalhar para você. Tudo de bom, não?

Você não precisa disso? Duvido. Você não tem medo da vida? Não minta. Pouco importa se compramos uma saída para o medo no Amex, se andamos de metrô ou de BMW, se frequentamos igrejas evangélicas ou aprendemos palavras mágicas em hebraico ou sânscrito, se trazemos as marcas da idade num rosto envelhecido ou as escondemos atrás da pele esticada. Pouco importa – todos nós temos medo da vida.

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Blogues (falecidos) que ainda leio

Nos céus nebulosos da internet nem sempre é fácil encontrar conteúdos de qualidade, mais ainda, nem sempre aqueles raros santuários que abrigam tais conteúdos recebem visibilidade suficiente para que consigam sobreviver. Como diz aquela música do Legião: “é tão estranho, os bons morrem jovens”, aliás, Renato Russo que o diga.

Pensando nisso, decidi listar aqui alguns blogues que, mesmo não sendo mais atualizados, continuam recebendo minha visita e minhas preces para que jamais saiam do ar. Por razões que tentarei explicar logo mais eu sou grato a cada um deles por terem contribuído significativamente para minha formação com conteúdos de qualidade. Quer eles voltem ou não a ativa um dia, continuarei com minhas preces. Daqui por diante, façam também as de vocês.

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O cobrador que lia Heidegger — Samir Thomaz

Nem só de Zíbia Gasparetto e Paulo Coelho vivem os leitores dos coletivos urbanos de São Paulo. Com todo o respeito aos leitores da escriba espírita e do glorioso “mago”, talvez a dupla brasileira mais lida hoje no país, mas não é todo dia que, ao transpor a catraca do ônibus, deparamos com o cobrador lendo uma obra de Heidegger.

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Complexo de vira-latas — Nelson Rodrigues

Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto:

— Não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

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O papagaio depressivo — Luis Fernando Veríssimo

 Compraram o papagaio com a garantia que era um papagaio falador. Não calava a boca. Ia ser divertido. Não há nada mais engraçado do que que um papagaio certo? Aquela voz safada, aquele ar gozador. Mas este papagaio era diferente.

No momento em que chegou em casa, o papagaio rodeado pelas crianças. Dali a pouco um dos garotos foi perguntar ao pai:

— O quê?

O Papagaio estava citando Kierkegaard para as crianças. Algo sobre a insignificância do Ser diante do Nada. E fazendo a ressalva que, ao contrário de kierkegaard, ele não encontrava a resposta numa racionalização da cosmogonia cristã. O pai mandou as crianças se afastassem e encarou o papagaio.

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A falácia da desmilitarização da polícia – José Maria e Silva

O texto abaixo foi originalmente publicado pelo sociólogo e jornalista José Maria e Silva no Palavra acesa, mas como seu blogue está desativado desde 2013 e o tema abordado continua importantíssimo decidi republicá-lo aqui.

Mais que defender aquilo mesmo que está em seu título, creio que a preocupação fundamental contida no texto seja desfazer caricaturas da discussão sobre polícia e sociedade. Nesse aspecto ele é excelente e representa minha opinião melhor do que eu mesmo poderia.

No mais, os links e as caricaturas de mal gosto colocadas ao longo da argumentação foram acréscimos meus. Elas pertencem ao Carlos Latuff e representam aqui essa visão vulgarizada da polícia (e da política) que o texto combate.

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Diálogos sobre a religião e a morte (Parte I)

Basicamente, o texto que segue é um diálogo entre colegas.

Ele constitui a primeira parte de um diálogo entre eu e o Mailson Cabral (do Templo e Taverna) a respeito do tema da morte, englobando religião, filosofia e coisas mais. A ideia foi fazer um diálogo franco e sem grandes rodeios, em que pudéssemos expor nossas posições e inquietações sobre o assunto sem necessariamente concluir uma verdade ao fim. O resultado vocês podem acompanhar logo abaixo.

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Ler Corbisier

Não concordo com Corbisier, mas que ele escreve bonito…

A ignorância da filosofia leva geralmente a supor que essa forma de reflexão, ou de conhecimento, lida com abstrações, enquanto as ciências, as artes e as técnicas, ocupar-se-iam do concreto. Ora, o que ocorre é exatamente o contrário, pois são as ciências, as artes e as técnicas que lidam com abstrações, quer dizer, com realidades destacadas ou “abstraídas” do contexto de que fazem parte. O fenômeno biológico, por exemplo, de que se ocupa a biologia, é uma abstração, pois implica o fenômeno químico que, por sua vez, implica o fenômeno físico, etc. Qualquer obra de arte ou produto artesanal, implica o contexto cultural desse contexto. Considerado em si mesmo, não passa de uma abstração. Qualquer técnica, tomada isoladamente, sem que se leve em consideração o local e a época em que foi produzida, é também uma abstração, uma parte retirada de um todo, ou de uma totalidade.

Situando-se na perspectiva da totalidade, a filosofia é a única forma de reflexão, de pensamento e de conhecimento, que não lida com abstrações, pois mesmo quando, para efeitos metódicos ou didáticos, isola ou destaca um objeto, jamais perde a consciência de que o objeto abstraído só é o que é, só tem sentido, enquanto integrado em seu contexto, na totalidade de que faz parte.

Corbisier, Roland. Filosofia política e liberdade, pág.22. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.

PS: ocorre, porém, meu caro Corbisier, que as filosofias não encontram apenas uma totalidade mas coleções – todas pias de serem a mais totalizante dentre elas. Seguem mil vezes mil perspectivas de cada uma, em sua maioria (as que importam, pelo menos) inconciliáveis.

Minha opinião (não que interesse a um morto saber): como ninguém resolveu a questão até o momento ou fui tolo demais para descobrir quem teria sido, talvez seja o caso que, dadas as regras do jogo, cada qual encaixe o que vê do mundo naquilo que pensa dele – mas terei razão ao dizê-lo? Ou será apenas o que minha totalidade alcança?

Sobre as críticas de Rafael Menezes (mais)

Seguem abaixo minhas considerações a respeito do texto de Rafael Menezes, Sobre a resenha do livro Os filósofos.

Acerca disso é preciso dizer Rafael formulou críticas bastante específicas à minha resenha que não poderiam ser respondidas senão de modo específico, por conseguinte, minha resposta ficou bastante longa ao tanger diversos pontos. Apesar disso, tentei reduzi-la ao mínimo: ignorei minúcias que, espero, não farão falta; deixei de redigir uma conclusão mais geral; e uni algumas respostas a críticas diferentes em função da semelhança que mantinham entre si.

No mais, devo acrescentar que: qualquer nova resposta a esse assunto será dada ao pé deste texto ou daquele anterior (aqui), e que nada mais tenha a dizer sobre Herculano Pires que caiba num novo texto. O assunto finda aqui.

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Replicando: Considerações sobre a resenha do livro Os Filósofos, de José Herculano Pires, realizada pelo Sr. Homem sem Sobrenome

Foi publicado outro texto de Rafael Menezes a propósito de minha resenha sobre Herculano Pires. Este novo consiste numa continuação direta do texto anterior, com a discussão dos trechos da resenha que o antecessor não abordava.

Por conta disso, reconsidero minhas suspeitas sobre ele não ter lido o livro e também minha predisposição a publicar algo mais sobre o assunto, sendo que, tão logo eu consiga tempo, escreverei minhas considerações a respeito.

Para ler o texto de Rafael clique aqui

Sobre as críticas de Rafael Menezes

Seguem abaixo algumas considerações a respeito das críticas de Rafael Menezes, em seu texto Sobre a resenha do livro Os filósofos (para saber mais clique aqui).

Por uma questão de tempo e disponibilidade, produzi um texto bastante sintético que resume a argumentação de Rafael em quatro pontos principais. Como método de exposição, reconstruí inicialmente suas críticas e, em seguida, apresentei minhas considerações a cada uma delas. Ao término disso, fiz um balanço dos dizeres de Rafael como um todo.

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Replicando: Sobre a resenha do livro Os filósofos

Faz algum tempo que publiquei uma resenha sobre Os filósofos, uma espécie de manual de História da Filosofia do pensador espírita Herculano Pires.

Lembro que foi bastante instigante escrevê-la, dada a possibilidade de refletir sobre os problemas interpretativos que o livro continha e descobrir minhas próprias maneiras de evitá-los. Na época, imaginei que meu texto teria, sobretudo, dois tipos de leitores: aqueles interessados nas discussões históricas que eu promovia e aqueles que fossem espíritas ou leitores de Herculano, sendo que, para encontrá-los, divulguei o texto nos sites em que achei menções ao livro. Pois bem.

Eis, então, que hoje o Rafael Menezes, do blog O Espírito e o Tempo, leitor do segundo tipo, publicou um texto a propósito de minha resenha (aliás, uma refutação, sob vários aspectos) que replico logo abaixo.

Particularmente, gosto bastante disso. Ser lido, mesmo que daí se resulte uma contra-argumentação daquilo que eu afirmei, atesta que meus textos tocam temas que são relevante para outra pessoa além de mim mesmo, independentemente da concordância que tenhamos em relação aos pontos discutidos. Sendo assim, tão logo for possível, pretendo escrever algumas considerações sobre as críticas do Rafael – a quem desde já agradeço pela leitura e pelos apontamentos feitos – e com isso balancear em quais pontos concordo com elas ou não.

Até lá, aproveitem o texto dele e desconfiem um pouco de mim.  Leiam aqui.

Viagens de Gulliver (trecho)

“Meu pequeno amigo (…), você fez o mais admirável panegírico sobre seu país. Você provou claramente que a ignorância, a preguiça e o vício são os verdadeiros qualificativos de um legislador. Que as leis são muito bem explicadas, interpretadas e aplicadas por aqueles cujos interesses e habilidades residem em pervertê-las, confundi-las e eludi-las. Observo entre vocês algumas linhas de uma instituição que originalmente seria muito tolerável, mas que na aplicação tornou-se obliterada, deturpada e manchada pela corrupção. Não percebo, em tudo o que me disse, que se exija nenhuma perfeição dos que alcançam os cargos de direção entre vocês, muito menos que se exijam homens que se tenham tornado nobres pela virtude, que os sacerdotes sejam homenageados por sua piedade ou ensinamentos, os soldados por sua conduta ou coragem, os juízes por sua integridade, os senadores pelo amor à sua terra, os conselheiros por sua sabedoria.

Como você, prosseguiu o rei, passou a maior parte de sua vida viajando, estou disposto a esperar que tenha escapado de muitos vícios de seu país. Mas, pelo que pude perceber no nosso relacionamento e pelas respostas que consegui extorquir de você com muito esforço, devo concluir que a maior parte de seus compatriotas é a mais perniciosa raça de pequenos e odiosos parasitas que a natureza permitiu que rastejem na face da Terra.”

Swift, Jonathan. Viagens de Gulliver, pág.166. SP: Nova Cultural, 2003.