Flusser versus Descartes

Este texto é uma pequena consideração a respeito de uma crítica de Vilém Flusser (1920-1991) à filosofia de René Descartes (1596-1650) feita no livro A dúvida.

Ao analisar de forma crítica as afirmações de Flusser pretendo fazer com que este texto também sirva como um esclarecimento a propósito a filosofia de Descartes nos pontos criticados.

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Análise do conceito de “dívida histórica”

Creio que aqueles que utilizam o conceito de “dívida histórica” dos brancos para com os negros, desejando com isso defender certas leis e políticas públicas atualmente, não percebem o monstro metafísico que estão a alimentar. Particularmente, entendo que esse conceito é irracional e desnecessário para a defesa de qualquer posição política de hoje.

Por meio deste meu pequeno texto tentarei mostrar por quê.

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Análise de um argumento “pró-aborto” (Parte I)

Este texto é uma incursão num tema sobre o qual não tenho posições muito firmes, a legalização do aborto. Apresentarei nele um argumento comumente utilizado para defender a discriminalização do aborto e, em seguida, discutirei qual é sua eficácia, quais são suas premissas e assim por diante.

Minha pretensão não é fazer apologias de qualquer tipo, mas analisar filosoficamente o funcionamento desse argumento e demonstrar quais são suas pressuposições e como ele, dependendo da maneira como for formulado, acaba permitindo a defesa de teses bem diversas daquelas que seus utilizadores pretendem.

Suponho que caso os raciocínios colocados aqui não contenham falhas, então eles poderão ser úteis tanto para criticar argumentos como esse quanto para melhorá-los, sendo nesse sentido que este texto pode contribuir para o debate em torno do assunto.

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Análise: Descartes e a psicologia da dúvida — Olavo de Carvalho

Dedico estas reflexões ao meu amigo Marcelo Ronconi.

Este texto integra uma série que tem por objetivo analisar parágrafo por parágrafo alguns artigos de filosofia que dizem respeito aos meus interesses de pesquisa e meditação pessoal. Abordarei nele a primeira parte de Descartes e a psicologia da dúvida, texto de Olavo de Carvalho que busca apresentar e refutar alguns pressupostos da filosofia cartesiana.

Antes de passarmos à análise do artigo, entretanto, convém dizer que, dada a quantidade de equívocos que ele contém e do esforço requerido para desfazê-los, depois de apresentar os problemas da interpretação de Olavo eu não exporei ao leitor qual seria a maneira correta de interpretar Descartes, além disso, que pelos mesmos motivos eu não analisarei a segunda parte do artigo.

Para aqueles que desejarem conhecer adequadamente a questão, todavia, eu indico a leitura do primeiro capítulo livro de Enéias Forlin O papel da dúvida metafísica no processo de constituição do cogito (Humanitas, 2004).

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Análise: O sentido de uma filosofia brasileira — Márcio Nicodemos

Faz algum tempo que tenho desejado iniciar algumas análises de artigos que, por seu tamanho diminuto e por sua argumentação pouco densa, podem ser escritas com celeridade e sem tanto esforço quanto as resenhas de livros. Os assuntos de tais artigos, além de servirem como contributos aos meus interesses de pesquisa e meditação pessoal, também realizam discussões interessantes para o formato do blogue.

Tendo isso em mente, separei alguns deles para abordar daqui por diante. Começarei com o texto de Márcio Nicodemos, O sentido de uma filosofia brasileira, um texto de graduação que discute o tema da filosofia brasileira e que, embora apresente equívocos que um filósofo mais maduro não cometeria, possuindo pouca importância para a filosofia num sentido amplo e pouco valor para a própria produção acadêmica daquele que o teceu, apresenta um tema interessante e contém algumas boas ideias que merecem ser avaliadas seriamente.

Como método de abordagem, exporei primeiramente a argumentação do autor na ordem em que aparece e em seguida tecerei comentários a acerca dela, buscando criticá-la a partir dos próprios problemas dessa argumentação e não de minhas posições pessoais sobre o assunto. Para evitar uma análise demasiadamente longa, também evitarei analisar o texto em seu aspecto estilístico e em sua organização mais geral, como costumo fazer com os livros, e restringirei minha análise à argumentação principal do texto.

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