O filósofo do contra (trecho) — José Arthur Giannotti

O grande perigo do jornal – e eu tenho participado dele – é que de repente começam a pedir coisas sistematicamente a você. Daí você começa a escrever de acordo com o pedido, e, se faz assim, escreve de acordo com o efeito que vai produzir entre os leitores – daqui a pouco estará escrevendo o que as pessoas querem ouvir, não o que você quer falar. Para o intelectual isso é muito fácil porque pode-se pegar qualquer ideias que esteja circulando e legitimá-la através da citação de um filósofo. E gosto não se discute. Então o que acabamos fazendo é pegar um conceito popular e conferir-lhe um pseudo estatuto cientifico – e com isso as pessoas que estão nos ouvindo ficam absolutamente felizes porque dizem, ah, pois não é exatamente o que eu estava pensando… Resultado: nos tornamos ecos do senso comum, que é o da mistificação. Temos que pensar popularmente, mas dispensando o senso comum. Somos intelectuais da miséria mas não queremos ser intelectuais miseráveis.”

Nota: trata-se de uma entrevista com o filósofo José Arthur Giannotti para a Folha de São Paulo na década de oitenta. A versão completa está aqui.

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