A certeza nas Meditações de Descartes (apêndice)

Tendo publicado aqui um texto meu sobre Descartes, pensei que seria interessante indicar algumas referências básicas de leitura para quem desejar conhecer melhor esse filósofo e seu contexto. É o que segue.

Para introduzir o assunto

Para quem estiver começando, o fascículo um do tomo dois da História da Filosofia (Mestre Jou, 1977) de Émile Bréhier possui um capítulo muito cuidadoso e esclarecedor a respeito de Descartes, abordando desde sua biografia até suas teses principais. A obra pode ser encontrada em sebos, bibliotecas e até mesmo na internet.

Nesse mesmo sentido Franklin Leopoldo e Silva escreveu uma ótima introdução ao filósofo em Descartes A metafísica da modernidade (Moderna, 2006), que pode ser comprada com pouco dinheiro ou consultada em bibliotecas.

Para introduzir o contexto

A respeito do contexto de discussão da modernidade, Marilena Chauí escreveu um bom artigo (disponível na internet): A filosofia moderna. Ele introduz os temas gerais e o contexto intelectual do século dezessete, conseguindo fazer a discussão vigente nele mais inteligível para nós, meros mortais.

O professor Benes Alencar Sales, por sua vez, lançou recentemente uma obra consistente e agradável sobre o tema da moral na filosofia de Descartes, que embora não seja uma introdução como as outras que citei, aborda didaticamente as leituras que Descartes fez de outros filósofos. Chama-se Descartes Das paixões à moral (Loyola 2013).

Caso se deseje ler algo mais completo e detalhado, a biografia escrita por John Cottingham, Descartes uma biografia intelectual, aborda de modo esclarecedor o contexto francês em que o filósofo viveu, mostrando o desenvolvimento de seu pensamento a partir de sua produção científica.

Uma referência interessante mas pouco utilizada – por ser pouco conhecida pelo público e por ter uma abordagem um tanto controversa – é o livro de Alcântara Figueira, Nascimento da ciência moderna: Descartes, que faz um boa investigação do surgimento da ciência moderna em relação às forças sociais do período. Tudo isso do ponto de vista inusitado de um historiador marxista.

Para maiores aprofundamentos

Para aqueles que já conheçam razoavelmente Descartes e queiram aprofundar seu conhecimento do assunto, convém começar com o monumental Descartes selon l’ordre des raison (Flammarion, 1992) de Martial Guéroult, obra em dois volumes que nenhuma boa alma a traduziu para o português, mas que permanece orientando os estudos sobre Descartes mesmo hoje. Ela está disponível apenas em bibliotecas universitárias, mas pode ser encomendada de outros países – em francês, é claro.

Apesar da dificuldade de acessar o texto do Guéroult, nós brasileiros contamos com excelentes textos nacionais como o livro clássico Lívio Teixeira: Ensaio sobre a moral de Descartes (Brasiliense, 1990), que permanece como uma referência sobre o tema da moral, e com o livro de Enéias Forlin, A teoria cartesiana da verdade (UNIJUÍ, 2005), que integra as discussões recentes a propósito duas primeiras Meditações.

No Brasil, qualquer leitura acadêmica de Descartes considera, perpassa ou pressupõe o conhecimento contido nessas obras que citei (e também de várias outras que não convém citar) ou as questões abordadas nelas, por isso, começar por elas é um bom método para “bem conduzir a razão e procurar a verdade” das obras cartesianas. Aproveitem

Anúncios

Ouse dizer o que pensa

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s