A culpa é do aluno: reflexões sobre nosso estágio em Filosofia

O texto aí abaixo consta aqui por um motivo bem simples: trata-se da primeira comunicação sobre Filosofia que apresentei publicamente. Ela não versa acerca de História da Filosofia, analisando disputas filosóficas e coisas assim, mas expressa o meu próprio ponto de vista a respeito de algo que me interessa: a formação filosófica. Assim, por mais específico que seja o tema analisado (os problemas da licenciatura na Unifesp Guarulhos), faço um convite para que você, leitor, não se aborreça desde já e o ignore, pois há nessa discussão particular algo de fundamental para qualquer um que goste de Filosofia ou Educação, que é a pergunta pelo significado da educação filosófica.

1. Introdução: culpa nossa

No texto A id1eia da universidade e as ideias das classes médias Otto Maria Carpeaux coloca uma questão polêmica: ao analisar os problemas das universidades no século vinte a inutilidade de sua produção intelectual, a massificação do ensino, a má qualidade de seus alunos – ele pergunta, afinal, de quem é a culpa. Quem caberia culpabilizar por esse imenso processo de decadência de uma instituição que, por seu papel na inteligência dos países, deveria justamente trazer soluções efetivas para tal? Sua resposta será taxativa: os estudantes são os culpados. Trata-se de uma afirmação temerária, sem dúvida, pois diante de uma situação complexa como a das universidades, acusar unicamente um grupo pela totalidade de seus problemas soa como uma leviandade. O que tal resposta acusa, no entanto, não é a responsabilidade de cada estudante sobre o estado da educação e da universidade como um todo, ou seja, não se trata de afirmar que cada novo universitário corrompa o funcionamento da instituição a partir dos costumes que traz consigo anteriormente ao seu ingresso nela, porém de ressaltar que a universidade envolve o estudante num processo decadente que ele próprio leva adiante passivamente. Sendo assim, a culpa do estudante não está em fazer ele sozinho decair a universidade, tampouco em ser afetado por ela, mas em dar prosseguimento a tudo o que foi usado para constitui-lo, inclusive a decadência universitária. Ao usar termo culpa, Carpeaux deseja, na verdade, ressaltar a responsabilidade que cada estudante poderia agregar a si próprio ao integrar a universidade e ser constituído por ela. Este é o seu modo de defender que se cada estudante não sente culpa pelo que carrega, não terá também qualquer consciência da decadência que o constitui, em outras palavras, sintamos culpa ou fiquemos na inconsciência.

Assim, partindo da reflexão de Carpeaux e da culpa que ela me provoca, gostaria de partilhar algumas ponderações que tenho feito a respeito do lugar que muitos de nós ocupamos agora, a saber, o de futuros licenciados em Filosofia. Meu intento aqui será analisar alguns problemas de nossas disciplinas de estágio à luz da concepção de licenciatura afirmada no Projeto pedagógico do Curso de Filosofia (bacharelado e licenciatura) da Unifesp, tentando mostrar como nossos problemas disciplinares se originam na própria maneira pela qual nossa licenciatura foi concebida.

O percurso do texto será o seguinte: analisarei de início a concepção de licenciatura em Filosofia da Unifesp (sustentada pelo Projeto), depois apontarei dois problemas nas disciplinas de estágio consequentes dessa concepção e, finalmente, tentarei ponderar sobre algumas alternativas que podem ser assumidas em relação a isso.

2. A concepção de licenciatura em Filosofia da Unifesp

No Projeto Pedagógico constam três princípios norteadores do curso de filosofia, sendo o primeiro a formação teórica do aluno na Filosofia e o segundo sua autonomia intelectual. Para cumprir a intenção deste texto, todavia, irei me ater somente ao terceiro princípio e suas consequências nas disciplinas de estágio. Ele consta assim:

“(…) a formação do bacharel e do licenciado são em grande parte comuns, pois que a formação do estudante se faz em análise dos textos clássicos, cujo rigor requerido prepara ao mesmo tempo à pesquisa monográfica e temática na Pós-Graduação e à organização dos planos de ensino na História da Filosofia no Ensino Médio.”1

Há duas teses importantes nesse excerto.

A primeira é que: “a formação do bacharel e do licenciado são em grande parte comuns”. Trata-se daquela concepção bastante repetida de que um bom professor precisa ser também um bom pesquisador e, por sinal, é simples concordar com ela, afinal, um professor dotado de um bom conhecimento acerca do assunto sobre o qual leciona e, ademais, com habilidade para realizar pesquisas sobre ele terá ao menos uma vantagem sobre um professor incapaz disso. É preferível que assim seja que assim não seja. Na prática, porém, tal princípio significa mais que uma orientação a respeito do perfil do ensino na Unifesp, tendo também implicações na estrutura do próprio curso de Filosofia: ele designa que a maior parte dele – seja para bacharéis ou para licenciados – tange às disciplinas do bacharelado e ao conhecimento das obras de filósofos e seus pensamentos. Segundo o próprio Plano: “é condição necessária que uma formação em filosofia esteja alicerçada fundamentalmente no bacharelado”2. Tenhamos isso em mente daqui por diante.

A segunda tese é que a análise rigorosa dos textos clássicos prepara o aluno tanto para a pesquisa quanto para a: “organização dos planos de ensino na História da Filosofia no Ensino Médio”. Sendo claro, trata-se a afirmação de que, mais que proporcionar ao futuro professor uma formação baseada na pesquisa e na capacidade de produzir conhecimento a respeito de sua área, a formação bacharelar capacitaria o professor para criar planos de ensino na História da Filosofia no ensino médio, isto é, a organizar formas de ensinar História da Filosofia a alunos desse tipo de ensino. Esse princípio será expandido adiante:

“A formação do bacharel o habilita a expandir sua capacidade de pesquisa aos mais variados temas e, por conseguinte [grifo meu], um professor com autonomia e pleno domínio dos assuntos que ensinará, não reproduzindo o conhecimento tal como formulado por outros.”3

O uso da expressão “por conseguinte” é um indicativo de conclusão, quer dizer, de uma afirmação inferida logicamente de uma premissa, neste caso, significa que a competência do bacharel de pesquisar diversos temas produzirá consequentemente: “um professor com autonomia e pleno domínio dos assuntos que ensinará, não reproduzindo o conhecimento tal como formulado por outros.”. Seguindo este princípio, o conhecimento da História da Filosofia, construído a partir dos métodos de análise e discussão ensinados na universidade, seria suficiente para produzir professores autônomos e não reprodutores do conhecimento “tal como formulado por outros”, no entanto, mais que isso, o curso de Filosofia promoveria competências que se assentariam unicamente no bacharelado, no estudo sistemático da História da Filosofia. Sob esse ponto de vista, a licenciatura seria uma extensão ou consequência do bacharelado.

Se minha interpretação for verdadeira e a identificação do bacharelado e da licenciatura se der como digo que se dá, segue-se dela que a formação de professores não foi pensada como uma competência própria que deva ser aprendida fora do estudo da História da Filosofia. Se bons pesquisadores são também bons professores, então não há nada mais a ensinar ao futuro professor que pesquisar, sendo que estudar a História da Filosofia tal qual é ensinada pela universidade será o bastante para que os discentes se tornem bons docentes. Como consequência disso, no item 4.3 do Projeto Pedagógico “Competências e Habilidades do Bacharel e do Licenciado” constará uma descrição indistinta das competências de cada tipo de profissional, em que será explicado no que a licenciatura e o bacharelado se assemelham, porém não no que se distinguem. Considerando a concepção de licenciatura mencionada, podemos concluir que tal distinção sequer é concebida porque na base da proposta está aquela expressão “por conseguinte” que liga a o bacharelado à licenciatura como uma consequência lógica, entendendo a segunda como resultado da primeira, assumindo que ambas tem uma raiz comum, que são geradas pelo treinamento no mesmo tipo de competência.

3. Problemas nas disciplinas de estágio

Dada a identificação entre licenciatura e bacharelado, analisemos como isso se desdobra no caso específico das disciplinas de estágio.

As quatro disciplinas do curso de Filosofia lidam com uma contradição: elas deveriam orientar os estagiários segundo a concepção formativa da Unifesp Guarulhos, no entanto, a universidade não tem uma concepção formativa específica da licenciatura com a qual possa fazer isso. Mais ainda, dessa ausência decorrem diversos problemas na execução das disciplinas e na formação dos licenciados, gerando em muitos alunos e professores certo desconforto – ou, se quiserem, culpa – que emerge quando estes se percebem integrando um processo formativo cujas exigências ultrapassam a complexidade da concepção que o engendra.

Daqui por diante, apontarei duas consequências oriundas dessa ausência que, segundo penso, atingem de modo problemático as disciplinas de estágio como um todo.

Primeiramente, temos o revezamento dos professores nas disciplinas. Não havendo a especificidade da licenciatura, o curso de Filosofia ocorre de maneira a permitir que lecionem nas disciplinas de estágio os professores que lecionam temas atinentes ao bacharelado. Com isso, vários docentes se revezam no oferecimento das disciplinas, porém não porque tenham as mesmas competências e por isso sejam aptos a oferecerem uma mesma matéria cujo tema dominam, mas justamente porque o Projeto pedagógico do curso não reconhece que uma competência de ensino de filosofia sequer exista, possibilitando que qualquer professor possa ocupar tal função independentemente do tipo de competência que possua. Uma consequência problemática disso é que, sejam quais forem os professores que passarão pela disciplina, eles serão incapazes de oferecer ao aluno uma formação licenciada já que nenhum deles estudou e desenvolveu a competência de formar licenciados.

Convém dizer que não pretendo fazer aqui uma crítica pessoal à atuação de qualquer professor. Sei que mesmo entre eles esse revezamento é fonte de constrangimento já que não foram capacitados para que lecionassem nesse tipo de disciplina e, o máximo que podem fazer, será ofertar um curso de História da Filosofia adaptado à licenciatura – uma boa vontade que não impede que as disciplinas de estágio sejam inúteis por princípio tanto para bacharéis, que passam por cursos de História da Filosofia empobrecidos, quanto para licenciados, que passam por cursos de licenciatura improvisados. Se as disciplinas não formam o aluno para algo especificamente diferente do bacharelado, já que não são pensadas para engendrar esse conhecimento específico, então não oferecem a ele nada que não possa ser obtido em outras disciplinas cujo aluno escolha segundo suas preferências. Se a formação do licenciado não é distinta da formação do bacharel, então o estágio não pode fornecer a ele o que o forme como um profissional dotado de uma competência específica. Por isso, independentemente da qualidade da execução feita por um ou por outro professor nas disciplinas de estágio, elas se mantém como uma extensão do bacharelado que não conseguem se dissociar dele para produzir algo distinto.

Isso nos leva à segunda consequência, que consiste no fato de que o estagiário não aprende sobre educação filosófica senão a partir de sua experiência pessoal. Somente uma dentre as quatro disciplinas de estágio tange às especificidades do ensino, e esta, como já dito, é lecionada por um professor do bacharelado e tem conteúdos atinentes ao bacharelado. Por isso, as disciplinas de estágio não tem conteúdos específicos da educação e da prática educacional para ensinar ao aluno. Um licenciado em Filosofia formado pela Unifesp nada estudou a respeito de História da Educação, não conhece as metodologias de ensino que em sua área tenham sido propostas com ou sem sucesso, não foi apresentado a pesquisas ou artigos que informem o que está acontecendo nas escolas nas quais lecionará ou mesmo sobre a realidade do ensino no Brasil, em suma, não foi orientado sobre como atuar no ensino e como se tem atuado no ensino atualmente. Quem são os alunos para quem lecionaremos? Quais são seus problemas, suas capacidades? O que pensam e como podemos ensiná-los melhor? Quais são os objetivos de um professor de Filosofia no Ensino Médio e que conteúdos devem ser ensinados? A licenciatura não nos informa a respeito disso, aliás, temos aulas com professores que há anos não lecionam no ensino médio e sequer estudaram essa tipo realidade, em outras palavras, conhecer a realidade do professor do ensino médio não faz parte da formação do professor do ensino médio.

Com isso, se o assentamento da disciplina no bacharelado faz com que os professores tenham por objeto o texto e a teoria ao invés da situação com o qual os licenciados lidarão cotidianamente (a realidade do professor), ocorrerá que tais licenciados se formem levando adiante as mesmas concepções que trouxeram consigo paralelamente ao processo formativo universitário já que a licenciatura não o confronta com qualquer concepção distinta daquela que ele possui. Se a universidade nada tem a nos ensinar sobre nossa função de educadores, tudo o que sabemos a respeito dela é o que aprendemos paralelamente aos estudos universitários. Dito isso, a menos que sejamos bastante otimistas que quanto à qualidade dos ingressantes na Unifesp e das concepções de educação que grassam socialmente, teremos que admitir que a universidade tem formado pessoas que dão continuidade a toda sorte de concepções pouco sofisticada sobre educação vindas de fora da universidade. Quais seriam os momentos nos quais nossos licenciados tem a oportunidade de discutir suas concepções a respeito de educação? Quando poderão ter confrontados os seus próprios preconceitos? Dentro de um curso de Filosofia, é até possível tal momento chegue, uma vez que participamos de muitas discussões que facilmente podem ser extrapoladas para a educação, todavia, é também possível que esse momento não chegue, pois ele não é considerado necessário por nossa concepção de licenciatura e não está integrado ao nosso processo formativo. As disciplinas de estágio não constroem efetivamente uma prática de ensino progressiva no aluno em que ele possa se criticar e melhorar, mas apenas lhe dão um pequeno espaço para que ele apresente suas frustrações quanto ao ensino e tenha um contato não-mediado e não esclarecido com ele. As noções prévias do aluno a propósito da educação permanecem e podem ser até mesmo aprofundadas conforme a realidade do ensino médio e fundamental é vista mais de perto durante a experiência de estágio, posto que não lhes são dados elementos pra lidar com essa realidade do ensino.

4. Conclusão: algumas alternativas

Considerando os problemas oriundos da concepção de licenciatura da Unifesp, creio que, como alunos, podemos sustentar uma dentre as três posições seguintes.

Primeiramente2, podemos conviver (conscientemente ou não) com tais problemas e assim dar prosseguimento a eles. Particularmente, essa tem sido minha posição durante a graduação e minha culpa hoje diante de mim mesmo e também de vocês: tenho tomado consciência dos problemas que me envolvem, mas pouco fiz para que cessassem. Para me defender disso tenho sustentado o argumento de que, se tais problemas me ultrapassam, então estou isento de qualquer responsabilidade a seu respeito, todavia, seria possível ir além da tomada de consciência e da adoção de um discurso e de pensamento diferente em relação ao que temos vivenciado?

É o tipo de dúvida que me faz estar aqui hoje e desconfiar dessa primeira posição.

Ademais, creio ainda que podemos agir de maneira a resolver os problemas que a licenciatura produziu nas disciplinas de estágio e mesmo naquelas de formação de professores. Seria simples conceber maneiras de fazermos isso. Se os licenciados tem acessos apenas as suas experiências particulares de estágio e isso é notoriamente problemático, por exemplo, poderíamos cobrar de nossos professores novas dinâmicas nas disciplinas em que pudéssemos conhecer mais que nossas próprias experiências com o ensino. Nesse sentido, seria possível aprimorar nossos relatórios de estágio, torná-los mais acurados para, a partir disso, em vez de meramente entregá-los aos professores e engavetá-los para sempre, pudéssemos apresentá-los e debatê-los publicamente, expondo tanto nossa postura em relação à escola quanto nosso próprio olhar em relação a ela. O que poderia ser mais elementar na formação filosófica que ter suas palavras e perspectivas avaliadas e, quiçá, até confrontadas? De fato, há bons motivos para adotar uma posição desse gênero, no entanto, basta um motivo para recusá-la: agir contra as falhas das disciplinas de estágio implica em manter íntegro aquilo que as engendra – isto é, a concepção de licenciatura que a formula – e prosseguir atingindo problema por problema na medida em que surgem, como se estivessem isolados uns dos outros e nada tivessem em comum.

Por fim, a última postura que podemos assumir seria agir contra a própria concepção de licenciatura sustentada pela Unifesp que engendra os problemas analisados. É essa postura que pretendo defender aqui. Como espero ter mostrado, repensar nossa concepção de licenciatura não significa somente mudar palavras num texto pedagógico ou apenas fazer com que pensemos diferentemente quanto ao que estamos fazendo aqui. Se toda a estrutura de nosso curso é condicionada por certa maneira de pensar, propor mudanças nessa maneira significa propor uma reestruturação do curso como um todo com uma radicalidade proporcional a radicalidade da educação filosófica que proporemos. Se nossos problemas quanto a formação de professores tem origem na identificação do bacharelado à licenciatura, então a solução que poderá encerrar esses problemas será a de repensar essa identificação, seja mudando o que entendemos a respeito do bacharelado ou simplesmente reconhecendo que a licenciatura é autônoma em relação a ele.

Com efeito, para prosseguir nesse sentido, seria necessário pensar no significado da separação filosófica entre a licenciatura do bacharelado, isto é, seria preciso responder à pergunta: o que é um professor de Filosofia? E é com essa questão que desejo encerrar esse texto. Um curso em que a licenciatura tivesse uma concepção própria, qual seria ela e que tipo de professor formaria? O que é da competência de um professor de Filosofia que o mero estudo da História da Filosofia não poderia lhe dar, quer dizer, o que é preciso para ser um bom professor de filosofia além de saber filosofia? Precisaríamos de disciplinas relativas às teorias que envolvem a realidade da escola, como didática, leis, Filosofia da Educação e História da Educação? Precisaríamos de estudos sobre a realidade cotidiana do aluno, como aqueles vindos da Sociologia da Educação e da Pedagogia? A Unifesp deveria contratar mais professores, porém com competências específicas sobre educação e diferentes daquelas sobre História da Filosofia? É possível formular diversos critérios que poderiam regular a criação da autonomia da licenciatura em relação ao bacharelado, contudo, duvido que seja suficiente verificar o currículo de outras universidades e imitar suas concepções, como talvez se possa sugerir, e acredito que, para tal, seria necessário algo mais básico e original: contemplar as ausências, os problemas e as demandas de nossa realidade de ensino, em suma, dizer o que precisamos em nossa formação e o que queremos dela e assim reformar nossa concepção de licenciatura. Há muitas questões filosoficamente importantes pra responder a esse respeito que demandariam um esforço coletivo: de que necessitaria, por exemplo, um licenciado pela Unifesp que lecione no Ensino Médio? Aulas de teatro para que seja mais desenvolto com o público? Nossos alunos sabem falar em público? Tem boa dicção, uma boa articulação de ideias? Eu tenho? Aliás, o que me falta neste momento? O que foi negado por nossa formação a mim e a todos vocês que levaremos adiante impunemente?

Um exercício que talvez possa tornar nítido o que estou a propor seria o de observarmos por um momento nossos professores – qualquer um deles – e refletirmos: o que é ausente neles que poderia lhes ter sido ensinado por suas graduações e que agora pesa sobre nós como uma deficiência formativa? O que neles poderia ser melhorado de maneira a fazer de nós melhor formados por eles e menos afetados por suas faltas? Quais são os motivos para culpa que nossos professores deveriam observar e não observam? É um palpite, mas creio que cada um de nós sabe de ao menos um ou dois…

Busquemos esses motivos e façamos algo para que não tenhamos que carregá-los e repassá-los a outros como foi feito conosco.

Assim, se há algo que carregamos atualmente em relação a qual podemos sentir alguma culpa, bem dizendo, se há algo sobre o qual eu mesmo sinto culpa e desejo assumir alguma responsabilidade daqui por diante, isto se refere não ao tipo de professor que somos e seremos, mas àqueles que não somos, jamais seremos e talvez nunca venhamos a nos dar conta disso. Se hoje não trago aqui uma resposta definitiva sobre como proceder, desejo, ao menos, encerrar com uma pergunta que procederá conosco daqui por diante (caso algum de vocês já saiba, por favor respondam): o que significa ser professor de Filosofia?

1Projeto pedagógico do Curso de Filosofia (Bacharelado e Licenciatura), item 4.1, pág.6

2Projeto pedagógico do Curso de Filosofia (Bacharelado e Licenciatura), item 4.1, pág.7

3Projeto pedagógico do Curso de Filosofia (Bacharelado e Licenciatura), item 4.1, pág.7

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5 pensamentos sobre “A culpa é do aluno: reflexões sobre nosso estágio em Filosofia

  1. Pingback: Pedras e vidraças | Ao invés do inverso

  2. Aí que tá: ele foi pensado para o professor universitário, o que é um problema tanto porque nem todos desejam ir por aí, mas também porque mesmo um professor universitário pode ser munido de diversas coisas que simplesmente ler sobre filosofia não poderiam dar a ele, que é algo que esse projeto não considera. A licenciatura deveria ser um espaço para que aprendessemos a lecionar e tudo aquilo que envolve ensino e aprendizado que nos ajudasse a ir por esse caminho.

  3. Infelizmente eu não posso comentar muito sobre a licenciatura porque eu não fiz… Hahaha! – Mas acho que o problema desse projeto é que ele foi escrito não pensando no professor do ensino médio, mas pensando no professor universitário, onde de fato o bom professor e o bom pesquisador meio que se completam. – Talvez se o projeto fosse escrito por professores da rede pública do ensino médio que trabalham lá a pelo menos dez anos, com certeza ele teria uma cara bem diferente. 😀

  4. Excelente reflexão. Se construirmos uma resposta para a pergunta final do texto poderemos ter um curso que forma professores de filosofia. A discussão está posta.

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